O desafio do atendimento na saúde indígena é tema de encontro na Esamaz

  • Publicado em 10/04/2019
  • Notícias Enfermagem
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O desafio de lidar com a saúde indígena e formação de profissionais da área capacitados para trabalhar nas aldeias foram os principais temas do I Encontro de Saúde Interdisciplinar dos Povos Originários, promovido pelos cursos de Psicologia e Enfermagem da Esamaz. O evento foi aberto nesta quarta-feira, dia 10 e segue até sexta, dia 13, no auditório da unidade Municipalidade, em Belém.

Os palestrantes são profissionais que trabalham com comunidades indígenas, como antropólogos, enfermeiros, índios que cursam Medicina,servidores da Funai e lideranças de tribos. O encontro foi organizado pela Liga Acadêmica de Saúde Mental Interdisciplinar da Esamaz (LASMI), que tem a frente os alunos Hector Lourinho e Daniela Petroli.

Para Eliane Putira Sacuena, que é doutora em Antropologia, pela UFPA e que faz parte da etnia Baré, a falta de informação sobre os costumes e hábitos da cultura indígena acaba sendo o principal para os profissionais que são destinados para trabalhar nas aldeias. “Eles se inscrevem nos processos seletivos sem as vezes saber nada sobre a tribo onde vão atuar”, disse ela.

O Pará tem hoje 36 povos indígenas, segundo o ISA (Instituto Socio Ambiental). Para cuidar de toda essa gente existem 4 Distritos de Sanitários Especiais Indígenas. Eles ficam em Altamira , Redenção, Belém e Santarém. Só em Altamira são apenas 5 médicos para atender mais de 70 aldeias.

Para o estudante de Medicina da UPFA, Caio Augusto Nascimento, da etnia Xipaia, o número de profissionais de saúde é insuficiente para atender os povos indígenas no Pará. Ele é a favor da contratação de profissionais indígenas que saibam líder com as tradições nas aldeias. Ele elogiou a iniciativa da Esamaz de abordar esse assunto tão importante para região Amazônica. “ Esperamos que esses eventos sejam mais frequentes na faculdade e estamos dispostos a colaborar sempre que preciso.”, disse ele

Para os organizadores do evento, os acadêmicos Hector Lourinho e Daniela Petroli, a idéia é que esse seja o primeiro de uma série de eventos que abordem a saúde indígena. “ Nós precisamos conhecer a realidade e as demandas dos pacientes. E a deles tem suas características que todos os profissionários da área de saúde que pretendem atuar em comunidades indígenas devem saber”, disse Hector

Daniela destacou a importância do papel do Psicólogo na equipe multidisciplinar que atende os índios. “ Temos que aceitar as crenças deles. Ficamos sabendo hoje que tem pajés com depressão nas aldeias. Um problema que afeta principalmente aqueles que foram remanejados de suas terras ”, disse ela

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